quinta-feira, setembro 22, 2005

age

não imaginas a importância que tem uma simples luz laranja
luz que muda a vida de qualquer pessoa, muda.te a direcção e muda a direcção dos outros
essa luz laranja avisa os outros da tua decisão e ajuda.os a decidir também...
tu accionas a luz mas ela não é para ti...é para os outros...
lembra.te "acção/reacção"... as tuas acções não são apenas para ti, têm sempre um reflexo nos que te rodeiam mesmo nos desconhecidos...
não apenas a luz, mas um simples gesto de mudança como as cores do ecoponto...
talvez o problema seja das cores...
não...
o problema deve ser da acção, ter que agir perante uma situação que parece muito mais cómoda em não agir...

mas lembra.te: a acção não é só para ti...é para os outros também!

vê bem para que não esqueças os momentos porque deves viver

observo o mundo como se não quisesse esquecer as cores de todos os sonhos que já tive, não esquecer os olhos de todos aqueles que me vêm...porque não sei o amanhã...
gostava de não mais sair daqui, deste espaço temporal, deste momento, para guardá.lo e recordá.lo em todos os outros momentos em que só quero fugir e não mais voltar.
vejo os sorrisos dos que me acompanham e guardo esta alegria...

terça-feira, setembro 06, 2005

então um dia descobri que a brutalidade do Homem está bem perto de nós
o dia ficou preto e bem preto já tu eras
relembro quando tu nasceste da tua mãe bem branquinha, brincavas com a bola castanha de pêlo beijoqueira, tiveste filhos e filhos e filhos e filhos...e uma ficou contigo na nossa casa, também ela branquinha (como a avó).
e agora já ñ voltarás para casa, já ñ ouvirei a d.adelaide a contar-me das tuaas maselas no pelo curto. não virei mais os teus olhos verdes a luzirem na luz, não ouvirei o teu miar refilão quando queres bacalhau e não to dão, não voltarei a afastar o teu focinho fofinho do meu prato...
eras membro da família...

hoje chove para tentar limpar a podridão da alma humana, daqueles que não vêm que a humanidade vive de sentimentos, de partilha e de compreensão e tolerância!porque temos de ser uns para os outros e para aqueles que pouco têm culpa do que o Homem faz...

terça-feira, agosto 30, 2005

segunda-feira, agosto 22, 2005

apura os sentidos

apura os sentidos
deixa o corpo sentir o furor de voltar a viver
deixa que o suor te escorra de esforço que nunca é em vão
sente o toque da pele
sente a sua suavidade e o carinho com que te toca

deixa fluir o sangue
deixa que o sangue te aqueça à velocidade a que o clímax se aproxima
sente o calor que sobe a cada instante
deixa correr
corre também
não deixes de sentir essa sensação de liberdade quando tudo acabou


















































sexta-feira, agosto 19, 2005

o corpo é que paga

tentei fixar o meu olhar mas não tinha forças para isso...a garrafa já tava vazia e só me lembrava de ver as estrelas a brilharem só para mim
nem dei pelo som vazio da garrafa a cair na areia ou as gargalhadas que dávamos estridentemente, viciadas pela euforia do sangue a vibrar com a diluição do alcool

mas o corpo não anguentou a euforia...decidiu rejeitar a nova condição escolhida
rejeitou até não puder mais
o corpo ficou sem forças, sem energias
ficou num escuro repousante, no qual apenas a mente funcionava para responder a perguntas simples e fazer afirmações carinhosamente estúpidas e desapropriadas (mas sem deixarem de fazer sentido ou de serem totalmente verdadeiras)

agora o corpo tenta recuperar de uma condição não escolhida por ele mas que faz a experiência ter o seu verdadeiro valor

domingo, julho 24, 2005

numa luz morta observo fixamente

imagino-me numa taberna daqueles que os homens gostam de, um canto obscuro, observar as mulheres que vão entrando
também eu estou num desses cantos, com um copo vazio e uma garrafa de vinho tinto
mas não bebo
apenas espero que alguém queira sentar-se no meu canto escuro e beber da minha garrafa

observo apenas os que entram, os que também observo mas que não sabem que observo como eles

tenho o copo vazio na mão, passo os dedos na borda fina do copo para sentir o toque suave da textura do vidro
o olhar está fixo nas paredes pálidas daquele espaço nauseabundo dos homens que chegam de trabalhar e estão insaciáveis de vinho e de prazer sexual
por isso se escondem num canto escuro numa taberna qualquer

quinta-feira, julho 21, 2005

matrix teatral

olho e vejo para o que foi feito
penso: ainda bem!
têm razão os que dizem que se sofre para depois se ser feliz...depois da tempestade vem a bonança...mesmo que pareça que a tempestade é uma eternidade

custou subir o palco, ñ querer ver para além dos focos para ñ ver o olhar profundo daqueles que esperavam qualquer coisa
mas agora olho, quero conhecer melhor aquele palco, aqueles focos que escondem pessoas por trás...


sabes como é não precisares de desculpa para dizeres coisas ou fazer coisas?!? ali podes ser quem quiseres, viver como quiseres...não te parece bem?
pode parecer falso, mas ñ é...apenas é uma parcela de ti, nem que seja a parcela hipócrita e cínica
na verdade, os que pisam o palco têm sorte, sorte de viverem todas as profissões todos os desgostos todos os sofrimentos todos os amores, saem do palco e estão noutro mundo...lolol....matrix teatral...

quarta-feira, julho 20, 2005

sim...


olho e vejo e sinto
e sinto que vejo o que não sinto mas senti
olho para o que vejo
e vejo o que não quero olhar
sei que sinto o que não vejo, mas olho para o que sinto

sentir o que não vejo é o mesmo que olhar para o que não quero sentir...

o momento do eco do presente


escondeste.te mas ficamos as duas

foi então que o vermelho se confundiu com o pêlo...

tu:
"e na escuridao da noite, o lobo mau chegou-se ao pe do capuchinho vermelho kom uma fitinha no pe, e roubou-lhe um beijo profundo, e sussurou-lhe ao ouvido: Gosto de ti. Boa Noite."


eu:
"ela ficou sem expressão.só depois se apercebeu do que se tinha sucedido, e corou...
ainda corada, apenas respondeu: boa noite também para ti. e olhou.o para ele ver as palavras naõ ditas espelhadas nos seu seus olhos doces tal como o mel."


tu:
"o lobo corria num alvoroço , tropeçando em pedras e raizes, tentando fugir das palavras que incansavelmente o tentavam alcançar atravez do eco humido e escuro da floresta....olhando para tras, viu os olhso brilhantes de capuchinho...sorriu...o eco apanhou-o...tarde demais...o seu coraçao estava trespassado....ele tinha-se apaixonado por ela."


...