terça-feira, março 27, 2007


observar o infinito na busca de resposta para perguntas impossíveis
a procurar imagens que se dissipem no horizonte

domingo, janeiro 28, 2007

raio de sol contra a sombra do pavor

não me perco na minha identidade por querer ser apenas como tu
não deixo de ser quem sou, apenas quero ser melhor
puder dar-te o verde do mundo só porque é teu e tu não sabes

às vezes apenas mer perco na visão de não existir, por querer existir apenas em ti
vivo na ânsia de querer mostrar o lado iluminado do meu ser para que jamais conheças o negro

vivo numa torre com medo da sombra que faz na relva
género de princesa rapunzel apaixonada e à janela aquecida pelos raios de sol

não precisas de cavalo ou de ser cavaleiro, apenas o meu raio de sol

domingo, dezembro 17, 2006

nós um universo de pouca compreensão


complementariedade que o universo tende a unir e a separar
a justiça do universo pouco compreensível

livro de capa dura com introdução sumária

não entendo...
não entendo a órbita da terra e o que faz os dias passarem
não entendo porque é este o meu único refúgio quando quero falar de ti
não tendo essa tua visão de mim de um corpo susceptível a qualquer intervenção de excitação
lamento ter esta energia que me liga a tantos seres que passam na minha vida
às vezes lamento...devia ser só mais mecânica que emotiva
não tentar se a salvadora do mundo para que tudo seja mais que perfeito

o que não sabes...é que é só a capa de um livro que poucos conseguem ler
abro-te a introdução...tiras as tuas elacções e juízos sem realmente conhecer o interior
talvez seja melhor fechar o livro...
não querer dar-te o mundo quando só queres o que tu entendes que deves ter
eu só queria mostrar o mundo e como pode ser teu...
desculpa...a ficção toma conta do meu espírito, não vivo num mundo real
vivo naquela caixa de luz...
pensas tu...
não passo de um incondicional romance do séc.XVI
mais um livro de capa dura que fica na prateleira...

sexta-feira, dezembro 15, 2006

pedaços do céu de uma complementariedade impossível

Ficou a faltar o teu sabor quente dos teus lábios
quano tocam nos meus como se ganhasse vida quando os sinto,
o teu toque e sentir o pulsar do sangue que passa de ti para mim
como que o marcar a música que dançamos,
o teu amor como que o perpetuar um momento único e só nosso num mundo feito à nossa medida.

São valsas que nos unem num rodopio hilariante
até perder a consciência,
perder a consciência de quem somos
e apenas entregarmo-nos à impulsividade deste rodopiar
como se nunca quisessemos sair de uma profunda bebedeira.

Ebriago-me em ti..já te disse, és o meu copo de vinho tinto.

Na noite de maior folia em que juntamos os nossos amigos
apenas fica a faltar a nossa complementariedade impossível
neste mundo...

*

domingo, novembro 26, 2006

dois corpos



dois corpos expectantes pelo toque íntimo da textura e da sensação de partilha temporal e espacial que mesmo antes de se tocarem já pertencem um ao outro

a continuação da desfragmentação

e pela minha fragilidade em reconhecer a minha existência
tanto admiro a tua

a grandiosidade e esplendor da segurança do teu ser
sinto-me pouco digna da tua presença e do teu sorriso para comigo
quero olhar-te de longe, ver essa magnitude e apreciá-la
sentir-me especial apenas por ver-te e saber que és assim

mas sinto-me pequena, insignificante
sei que isto é apenas a crise da minha existência neste mundo complexo de imagens fragmentadas
mas olho para ti e apenas queria sentir que te dava o mesmo
já sei que é a estima que tenho por mim

como se repara a estima?
terei de ser um peter pan que procura a sombra e volta a cose-la?
primeiro teria que encontrar a estima...
então olho para ti, para a segurança de cada movimento teu
nunca serei igual a ti...
também sei que cada pessoa é autêntica e deve ser apenas si própria...
mas se eu não existir não sou autêntica.
mas como sinto dor, é porque existo
então tenho de ir à procura do meu eu.

então olho para ti e vejo a tua magnitude
e assusto-me
apenas quero observar o teu ser

desculpa o peso que te dou
não te quero atribuir responsabilidades
apenas importância de aprendizagem e consciencialização
na construção do meu ser

esta nova armadilha de construção de identidade a partir do zero
esta armadilha que teima a criar-se eu a cair

talvez seja a utopia de existir para o bem maior dos outros
se este bem não existe, então eu também não existo
as utopias são algo inconcretizáveis que teimo em concretizar
talvez a teimosia defeituosa do meu ser
que por vezes aclamo como força e segurança de que preciso

não quero ser como tu
porque tu tens a tua autenticidade
apenas a admiro por não ter a minha
como uma criança observa outra enquanto come um gelado
e nunca antes ela ter comido.

talvez seja por nunca ter saído desta fase de criança
de estruturação do eu
ou apenas reflectir demasiado sobre esta estruturação
e deixar de ser eu porque penso demasiado em ser
ao invés de realmente só existir

serei eu...?

uma imagem desfragmentada pelos pedaços de um espelho partido

vi o reflexo no espelho e percebi a máscara que uso
o medo insustentável de não ser suficiente para os outros

mas porque não posso ser suficiente apenas para mim?
porquê não partir de mim para mim mas de mim par aos outros?

não tenho respostas
apenas o medo, o receio e ficar assustada de simplesmente a forma mais simples de existir
não justificar a minha presenaç na vida dos outros...
um despedício de tempo para os outros,
um peso, um fardo, a mais na vida dos outros...

Frustração de não ter valência próprio simplesmente porque parece não haver valor no que há
por mim
e tento convencer os outros que realemente não há

a resposta será dar valor às competências que se tem?
que competências?

preciso de tempo para encontrar estas respostas
e queria ter o meu espaço onde apenas estava eu e ninguém me conseguia ver
mas eu tinha a segurança de ver que os outros estavam bem
um espaço sem peso...

não consigo ver o meu reflexo
sinto que caí na mesma armadilha que em tempos consegui superar
tentar se alguém que não sou ou simplesmente deixar de ser qualquer coisa

tento existir...mas sinto que não existo
apenas porque eu não me vejo

sei que tenho de ganhar a confiança e a consciência que não é mau
não existe nem mau nem bem
apenas eu

sexta-feira, novembro 24, 2006

o gato laranja??? quer dizer amarelo!!!



Rosa minha

Se te dissesse o quanto sou feliz só por te ver
talvez não acreditasses,
talvez fosse preciso dar a volta ao mundo
a gritar que gosto de ti
e talvez nem ouvisses.

Lembras-me a rosa do princepezinho!
Tão linda e majestosa, mas com aqueles espinhos todos,
foi preciso cativá-la e regá.la para mais tarde
sentir o vazio possível quando ele já não estava lá.

Será que não te rego o suficiente?
ou substimas os meus gestos e pensamentos que te confesso?
Talvez devesse conter mais esta alegria de te ter
e amar-te menos,
não sussurrar o quanto gosto de ti
e apenas corresponder ao que recebo...

Lamento não ser assim,
ser uma porta aberta de manifestações e emoções
(embora muitas contidas)
apenas busco em mim a felicidade
e transmitir-ta.

Se ao menos pudesse cortar alguns dos teus espinhos...
trocaria algumas palavras amargas
por uma palavra de tolerância...

Sim...abrir a mente e o coração...
Condenas-me por defeitos meus,
chego até duvidar do que exprimes sentir.
Sei que me engano ao duvidar
mas por vezes é mais forte a dor da amargura.

Inspiro-me no princepezinho...
também ele ficou triste pela rosa
mas não deixou de gostar dela,
aprendeu a gostar dela apesar dos espinhos...


*

segunda-feira, novembro 20, 2006

a cor é tua

Dou-te as tintas para pintares o mundo tal como o vês
escolhe a paleta e faz-te à estrada

serei apenas o observador num museu da tua obra prima
à espera que pintes o meu retrato das cores do teu coração

és a cor de muitos
és a cor de muitos dos meus dias
cada um diferente
cada um pintado por uma pincelada
com o rigor e paixão que te caracteriza

vejo essa cor no teu corpo
nos teus olhos que observam os meus
e nada mais há à volta
só nós e a cor.


bj*


sexta-feira, novembro 17, 2006

quinta-feira, novembro 02, 2006

não somos quem parecemos ser

pensava que o cadeado era forte e guardava o medo melhor que qualquer outro guardião
uma porta secreta, talvez esquecida que apenas ganhava raízes de pouco uso
e de repente corria naquela direcção com a certeza que ela não abriria
e quase que ia caindo no precipício que se escondia por trás dela…
recriei o monstro que em tempos me consumiu, não sei se ele está lá ou não
não tenho coragem de abrir os olhos
prefiro ficar aqui no canto, protegida pela falta de visão e apatia pelo exterior
se não abrir os olhos, talvez ele não esteja mesmo lá…
não tenho coragem para lutar com ele…porque ele sou eu

como se mata um monstro que tem reflexo de alguém que apenas existe na mente dos melhores?

quarta-feira, outubro 25, 2006

um eco que permanece na lembrança e no desejo

e então percebo que as coisas simples são o que mais nos preenchem
e como fica um vazio quando elas não estão presentes

cada momento que passa, os sorrisos de outrora apenas são memórias
que passam a velocidade relâmpago pela minha mente

o toque de ontem provoca um desejo de repetir-se hoje

mas é um eco apenas..

terça-feira, outubro 24, 2006

através da chuva observo cada pormenor teu

e se então não sentisse o vento que passa

e não apreciasse o pôr-do-sol

não me apaixonaria por ti várias vezes ao dia

como tirar prazer do simples desabrochar da flor do canteiro da rua

ou do cheirinho do pão acabado de cozer

e simplesmente olhar e ver-te a viver a tua vida mundana

é como ver a criança atravessar na passadeira com todo o cuidado

observar cada pormenor do teu ser

observo.te com prazer...

e

terça-feira, outubro 03, 2006

textos em folhas soltas de um passado remoto

passa a brisa que aconchega
com os sons que traz de lá
traz a memória da tua presença
pelas melodias que tocaste
vejo-te, sim...estás tu com
aquele olhar vago de quem
apenas respira pelo que toca
até mesmo os anjos caem em terra
tu também...
trocas um sorriso, um olhar
e nele perco-me





agora queria olhar para ti e sentir
mas não
está tudo vazio
foi só por ser e nada mais
mas eu queria sentir
queria gostar de cheirar o teu cheiro
e sentir a tua pele
está escuro e vazio
porque nada sinto?
é suposto sentir? ou agora apenas és um murmúrio
de um grito de prazer agonizante
que se prolonga num espaço perpétuo.
morres em mim como um boquet de rosas vermelhas no dia do casamento...





tens medo de ser tu próprio
de voar e cair
tem de medo de parecer cobarde
de não teres força para caminhar
mas esquce-te que a coragem
tem aquele que reconhece a fraqueza
que vê o reflexo sem arrogância
ou com desprezo
apenas vê o que és realmente
mas até isso vês como fraqueza
seres o que és realmente
então és fraco?
não precisas de medir forças
não precisas de esconder sentimentos
só para não sofrer
apenas sê tu
sem queres mostrar ser outro

beijo a ti...
07.02.06

razão da existência de revestimento em nada concreto

mãos...
pés..
pernas...
braços...
pescoço...
cabeça...
seios...
barriga...
olhos...
boca...
ouvidos...
nariz...
lábios.............
uma cápsula, um corpo
vazio por dentro?
ou contém uma essência?
uma sabedoria ou conhecimento próprio que o destingue dos outro?
será apenas um invólucro?
um embrulho de uma prenda que ninguém quer receber por não ter qualquer valor?


cala-te não digas o que não sabes!!
cala-te porque ainda não sabes nada de nada!!
cala-te porque não deves falar do que não sabes!!
cala-te...

apenas um invólucro de uma voz surda e de um pensamento sobre nada
porque apenas o digo só por dizer sem saber porque o digo
porque não o digo com sentimento ou sentido do já vivido
porque sou apenas mais uma numa pilha de mentes inconscientes e de senso comum
apenas movida por uma ambição de ser o que não sou

afinal sou o quê?
apenas um invólucro? uma cápsula de revestimento de um vazio?
não sou...

quarta-feira, setembro 27, 2006

náuseas

sigo apenas as linhas tortas que traço com um lápis gasto
como que um gesto sem sentido apenas seguindo a textura rugosa do papel
o corpo é pesado e moribundo
com cheiros nauseabundos e formas deformadas por uma realidade cruel

o olhar fixa o horizonte e perde-se na imensidão do vazio...

um mundo corre e não para
eu não páro com ele
as pessoas passam e tocam mas eu mal as sinto
elas dão e eu mal recebo

antes que o sol não nascesse
e não tivesse de andar sem saber para onde ir
ver reflexos de emoções e sentimentos
em algo que pode nem existir

grito mas não sai nada
ninguém ouve
só eu sinto o soluço que sufoca
as lágrimas que não saem
os gritos que não são libertados

o olhar fixa o horizonte e perde-se na imensidão do vazio...

segunda-feira, setembro 18, 2006

existir eis a questão...

até podia gritar que ninguém ouviria
porque o mundo roda mas não para mim
eu faço rodar para os outros porque assim sou feliz
uma mera espectadora na vida dos outros

espectadora que atrapalha como uma pedra no curso do rio
que podia ser um simples seixo ou um grão de areia parte de um todo
mas esses não atrapalham...
apenas existem...

ser apenas uma gota de carinho e uma fonte de quente para alguém que sente frio
ser apenas apenas mais um corpo no meio de muitos que apenas quer sentir
e fazer sentir outros mil corpos sensações
ser uma estrela num céu estralado de uma noite de verão
brilhar para amantes que despreocupados se entregam
brilhar para alguém...